sábado, 23 de julho de 2011

Cultura: nossa herança social.

Professor: Nelson – Sociologia.

Cultura: nossa herança social.
      Quanto à origem do termo “cultura”, vem do latim -COLERE- que significa inicialmente o cultivo das plantas, o cuidado com os animais e com a terra. Cuidado com as crianças e sua educação;cuidados com os   deuses (seu culto), com seus antepassados e seus monumentos (memória).
      Conceituar cultura sempre foi importante para todas as ciências criadas pelo ser humano. As definições e conceitos dessa palavra variam, dependendo de onde está inserida.
      Cultura, às vezes, é confundida com aquisição de conhecimentos, com educação, com erudição. A cultura é informação, é a reunião de conhecimentos aprendidos teoricamente e também na prática que se passa aos semelhantes.
      Para a sociologia o conceito de cultura tem um significado diferente: Conjunto de crenças, regras, manifestações artísticas, técnicas, tradições, ensinamentos e costumes produzidos e transmitidos no interior de uma sociedade.
           
Principais Características:
1.  A Cultura é inventada. Não surgiu do nada, foi criada pelos indivíduos. Esta invenção é composta por três elementos interdependentes:
·    Um sistema ideológico ou componente mental constituído por crenças, valores, costumes que o homem aceita ao definir o correto ou o incorreto;
·    Um sistema tecnológico: habilidades, artes e ofícios que lhe permitem fabricar bens materiais;
·    Um sistema organizativo para coordenar eficientemente a conduta de um indivíduo com os demais.
2.  A Cultura é aprendida. Não inclui respostas e predisposições hereditárias. O comportamento humano ser mais aprendido que inato, a cultura afeta uma ampla gama de comportamentos. É transmitida inconscientemente, especialmente nos primeiros anos de vida. Pode também ser transmitida por influências externas que provêm das amizades, das mídias. Três diferentes tipos de aprendizagem cultural:
·    Formal, inculca-se na infância no ambiente familiar;
·    Informal, aprende-se pela observação e inter-relação com o ambiente;
·    Técnico, vem dos ensinamentos dos professores no ambiente acadêmico.
3.  A Cultura é partilhada socialmente. É um fenômeno de grupo, entendendo como tal desde a sociedade até à família. Para que seja partilhada por socialmente é necessário que seja aceite pela maioria da sociedade. Isto implica que os indivíduos que não possuem certos aspectos culturais podem assumir o risco de serem rejeitados.
4.  A Cultura é diferenciadora. As culturas partilham certas semelhanças, mas também podem ter grandes diferenças, o que dá lugar à diversidade cultural. Isto leva a que existam diferenças significativas no comportamento dos consumidores dos distintos países.
5.  A Cultura é adaptativa. Altera-se de uma maneira gradual e constante, em algumas sociedades muito lentamente, e noutras com grande rapidez.
6.  A Cultura é organizada e integrada. Toda a cultura é coerente. Comportamo-nos, pensamos e sentimos de uma maneira consistente com a de outros membros de uma mesma cultura porque parece “natural” ou “correto” fazê-lo.
7.  A Cultura tem um caráter prescritivo. É constituída por normas e diretrizes da sociedade que determinam quais é o comportamento apropriado segundo as circunstâncias, logo constituem padrões de conduta que se não forem cumpridos acarretam “sanções” e “castigos”
8.  A cultura é dinâmica e é alterada ao longo do tempo.

Identidade Cultural.
      A identidade cultural é um sistema de representação das relações entre indivíduos e grupos, que envolve o compartilhamento de patrimônios comuns como a língua, a religião, as artes, o trabalho, os esportes, as festas, entre outros. É um processo dinâmico, de construção continuada, que se alimenta de várias fontes no tempo e no espaço.
       A identidade cultural é vista como uma forma de identidade coletiva característica de um grupo social que partilha as mesmas atitudes. Está apoiada num passado com um ideal coletivo projetado e se fixa como uma construção social estabelecida e faz os indivíduos se sentirem mais próximos e semelhantes. É ela responsável pela identificação e diferenciação dos diversos indivíduos de uma sociedade, sendo está comparada em diversas escalas.                                   
     A identidade cultural de determinado povo está intimamente ligada à memória deste, mas não pode ser vista como sendo um conjunto de valores fixos e imutáveis que definem o indivíduo e a coletividade a qual ele faz parte. Faz parte do processo de sobrevivência das sociedades a incorporação de elementos novos e isso é o que as mantêm ao longo do tempo.

As duas faces da cultura: material e imaterial.
      A cultura material consiste em todo tipo de utensílios produzidos em uma sociedade – ferramentas, instrumentos, máquinas, hábitos alimentares, habitação etc. – e tem uma relação direta com o estilo de vida dessa sociedade. Os seus elementos podem ser chamados de bens culturais de natureza material.
      A cultura não material, em contrapartida, abrange todos os aspectos morais e intelectuais da sociedade, tais como: normas sociais, religião, folclore etc. A música, por exemplo, tanto a erudita quanto a popular, faz parte da cultura não material. Os seus elementos podem ser chamados de bens culturais de natureza imaterial.

Componentes da Cultura.
      A cultura é todo orgânico, um sistema, um conjunto cujas partes se relacionam estreitamente. Para melhor compreender o que é uma cultura, vamos estudar alguns de seus componentes.
      Os principais aspectos de uma cultura são: os traços culturas, o complexo cultural, a área cultural e a subcultura.
      Traços Culturas - são componentes mais simples da cultura. Eles são as unidades de uma cultura. Ex. um lápis,  um carro, uma pulseira, uma capa. Os traços culturais são os componentes mais simples da cultura, e eles só têm significado quando considerados no contexto de uma cultura especifica.
      Complexo Cultural - a combinação dos traços culturais em torno de uma atividade básica forma um complexo cultural. Ex: carnaval no Brasil é um complexo cultural que reúne um grupo de traços culturais relacionados uns com os outros.
      Área Cultural - região em que predominam determinados complexos culturais. Esta consiste, portanto, em um espaço geográfico no qual se manifesta certa cultura.
      Padrão Cultural- conjunto de normas que regem o comportamento dos indivíduos de determinada cultura ou sociedade. Quando os membros de uma sociedade agem de uma mesma forma estão expressando os padrões culturais do grupo. Ex. o casamento monogâmico.
      O padrão cultural tem, portanto, uma relação direta com o processo de socialização dos indivíduos.
      Subcultura - no interior de uma cultura podem aparecer diferenças significativas, caracterizando a existência de uma subcultura.
      Exemplos: As “tribos urbanas” podem ser consideradas uma manifestação de subcultura juvenil: buscam diferenciarem-se do resto da sociedade adotando vestuários, costumes, símbolos e linguajares comuns.

Cultura e Progresso.
      Cada geração passa por um processo de aprendizagem, nos quais assimilia a cultura de seu tempo e se torna apta a enriquecer o patrimônio cultural das gerações futuras. É na capacidade que os grupos têm de perpetuar e acrescentar novos valores à cultura que reside à possibilidade de progresso.
       Todo progresso é resultante da síntese de valores novos com componentes culturais já adquiridos.
Em geral, o enriquecimento do patrimônio cultural de uma sociedade se faz por meio de dois processos: a invenção e  a difusão.

Difusão Cultural.
      Alguns traços culturais, como uma nova moda ou um equipamento recentemente inventado, difundem-se não só na sociedade em que tiveram origem, mas também entre outras culturas, geralmente por intermédio dos meios de comunicação (jornais, televisão, cinema, rádio, Internet etc.).
      Quando isso ocorre, dizemos que está havendo um processo de difusão cultural.

Retardamento Cultural.
      Toda vez que há um desequilíbrio no ritmo de desenvolvimento dos diversos aspectos da cultura, pode-se falar de retardamento ou demora cultura.
      As mudanças são mais aceleradas em relação à cultura material do que em relação à cultura não material.
      Ex: A invenção da pílula anticoncepcional na década de 1960, encontra grande resistência por parte dos setores religiosos, enquanto milhões de mulheres se beneficia de tal invenção.

O fenômeno da aculturação.
      Quando seres humanos de grupos diferentes entram em contato direto e contínuo, geralmente ocorrem mudanças culturais, pois se verifica a transmissão de traços culturais de uma sociedade para outra. Alguns traços são rejeitados; outros são aceitos e incorporados, quase sempre com mudanças significativas, à cultura resultante.
      Esse processo de mudança cultura provocada pelo entre dois ou mais povos culturalmente distinto, e no qual um grupo assimila cultura de outro grupo é chamado de aculturação.

Marginalidade Cultural.
      Quando duas culturas entram em contato e uma delas se impõe à outra pela força, geralmente ocorrem – além da aculturação – conflitos emocionais nos indivíduos que pertencem à cultura dominada. Aqueles que não conseguem se integrar totalmente a nenhuma das culturas que os rodeia ficam à margem da sociedade.

Cultura e Contracultura.
      Contracultura é um movimento que tem seu auge na década de 1960, quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e utilizando novos meios de comunicação em massa.
      O conceito de “contracultura”, definidor de todas as práticas e manifestações que visam criticar, debater e questionar tudo aquilo que é visto como vigente em um determinado contexto sócio-histórico. Contracultura  contestação de certos valores culturais vigentes na sociedade.
      Com respeito ao conceito de contracultura, não podemos simplesmente pensar que ele vá simplesmente definir a existência de uma cultura única e original. Pelo contrário, as manifestações de traço contracultural têm a importante função de revisar os valores absorvidos em nosso cotidiano e, dessa forma, indicar novos caminhos pelo qual o homem trilha suas opções. Assim, é necessário sempre afirmar que contracultura também é cultura!

Controle Social.
      A socialização é o ato de transmitir ao indivíduo os padrões culturais da sociedade. E o maior instrumento de socialização e o controle social. entendido como,  conjunto dos meios e processos pelos quais um grupo ou uma unidade social leva os seus membros a adotarem comportamentos, normas, regras de conduta, até mesmo costumes, conforme aos que o grupo considera socialmente bom.
Exemplos:
·    Olhar de reprovação dos pais quando a criança toma sopa fazendo barulho ou coloca o dedo no nariz;
·    Punição para quem cometeu um delito;
·    Recompensa para o que cumpre as regras;
·    Repressão policial a uma manifestação não autorizada.
      Desde momento em que nascemos, os costumes do grupo a que pertencemos moldam nossas experiências e nossos comportamentos. Ao tornamos adultos, já estamos suficientemente treinados para tomarmos parte das atividades da comunidade, com seus hábitos e suas crenças.
      A primeira “agência” de controle é a família. Depois da família temos a igreja, a Escola e o Estado.

Tipos de Controle Social.
      O controle social pode ser difuso (informal) ou institucionalizado (formal). Nas sociedades complexas, o controle social é institucionalizado ou formal, isto é, há órgãos e instituições sociais encarregados de sua aplicação, como a polícia, a Justiça etc. Nas sociedades isoladas e pequenas o controle social é difuso, vago e muitas fezes de caráter religioso.

Funções do Controle Social.
      Nas sociedades complexas, os sistemas de controle social assumem diferentes funções:
·    A de ordem social: aplicação, pelo Estado, de normas e leis.
·    A de proteção social: beneficiam setores menos protegidos da sociedade (previdência social, assistência médica, direitos da mulher, da criança).
·    A de eficiência social: contribui de forma produtiva para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade (proteção ao trabalho, à educação).

Diversidade Cultural.                                                        
      A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de uma sociedade, entre os quais podemos citar: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos.                                             
   O desafio da Pluralidade Cultural é respeitar os diferentes grupos e culturas que compõem o mosaico étnico brasileiro e mundial, incentivando o convívio dos diversos grupos e fazer dessa característica um fator de enriquecimento cultural. Com ela propomos os respeitar as diferenças, enriquecer-se com elas e, ao mesmo tempo, valorizar a própria identidade cultural e regional. Também lutar por um mundo em que o respeito às diferenças seja à base de uma visão de mundo cada vez mais rica para todos nós.
      Importante dizer que a diversidade cultural preserva a sobrevivência e a longo prazo as culturas indígenas que são tão importantes para humanidade assim como a conservação de todas as espécies existentes no ecossistema.

Diferença entre Cultura e Natureza.
      O ser humano graças à capacidade que tem o seu cérebro de acumular experiências criou a cultura que é o conjunto de conhecimentos e valores de um povo e que são transmitidos de geração a geração. Os outros animais que vivem na natureza não criam cultura, eles agem de acordo com o instinto que é um ato "cego" onde é ignorada a finalidade da própria ação. A sua única preocupação é a de resolver problemas relacionados ao momento presente.          
      A experiência que acumulamos torna-se possível e útil para nós, pelo fato de utilizarmos a razão que é a capacidade que os homens têm de avaliar, julgar e estabelecer relações lógicas, portanto, pensar em termos do que vêm antes e o que vêm depois, ou seja, relações de causa e efeito, com isso, o homem antecipa-se ao futuro produzindo projetos para ele.                                                             
    O fato de o homem ser dotado da criação simbólica o diferencia dos outros animais fazendo com que o ser humano se torne um ser histórico, um ser que constrói a sua própria história, ao contrário dos outros animais que não possuem história.            
    O homem vive num contínuo processo de criação de valores, ou seja, forma ideias sobre o que é o certo ou o que é o errado, noções ou conceitos como o de justiça, por exemplo. Portanto, o homem é consciente dos seus próprios atos e, por isso, é responsável por eles.                                                    
   Os animais vivem em meio à natureza e se misturam com ela, vivem o instante presente. O ser humano, através do trabalho, transforma a natureza e cria a cultura. A cultura se encontra acumulada nas ciências, nas artes, nas religiões, etc. que são a grande produção da humanidade.

Etnocentrismo
      Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensadas e sentidas através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência.                                               
     O etnocentrismo é a atitude característica de quem só reconhece legitimidade e validade às normas e valores vigentes na sua cultura ou sociedade. Os valores da sociedade a que pertencemos são, na atitude etnocêntrica, declarados como valores universalizáveis, aplicáveis a todos os homens, ou seja, dada a sua "superioridade" devem ser seguidos por todas as outras sociedades e culturas.                       
     No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc. Perguntar sobre o que é etnocentrismo é, pois, indagar sobre um fenômeno onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais quanto elementos emocionais e efetivos.                                      
   No etnocentrismo, estes dois planos do espírito humano – sentimento e pensamento - vão juntos compondo um fenômeno não apenas fortemente arraigado na história das sociedades como também facilmente encontrável no dia-a-dia das nossas vidas. (ROCHA,1993; p. 7).                                         
  Este problema não é exclusivo de uma determinada época nem de uma única sociedade. Talvez o etnocentrismo seja, dentre os fatos humanos, um daqueles de mais unanimidade. Como uma espécie de pano de fundo da questão etnocêntrica temos a experiência de um choque cultural.                          
     De um lado, conhecemos um grupo do “eu”, o "nosso" grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, conhece problemas do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses, casa igual, mora no mesmo estilo, distribui o poder da mesma forma empresta à vida significados em comum e procede, por muitas maneiras, semelhantemente. Aí então de repente, nos deparamos com um "outro", o grupo do "diferente" que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis. E, mais grave ainda, este “outro” também sobrevive à sua maneira, gosta dela, também está no mundo e, ainda que diferente, também existe.                 
       O grupo do "eu" faz, então, da sua visão a única possível ou, mais discretamente se for o caso, a melhor, a natural, a superior, a certa. O grupo do "outro" fica, nessa lógica, como sendo engraçado, absurdo, anormal ou ininteligível. Este processo resulta num considerável reforço da identidade do "nosso" grupo.  O “outro" é o "aquém" ou o "além", nunca o "igual" ao "eu". É a tendência de valorizar a própria cultura, tomando-a como parâmetro para avaliar e julgar as demais.  
Relativismo Cultural.                                            
    Claude Lévi-Strauss, um dos pais da antropologia cultural criou a expressão “relativismo cultural”, dizendo que nenhuma cultura detém critérios  absolutos, que lhe permitam julgar as atividades de uma outra cultura como “baixas e pobres” ou “nobres e ricas”.                                         
    Relativismo cultural é o oposto do etnocentrismo e nos coloca um desafio importante:  em nome do respeito à cultura alheia, devemos considerar que todos os costumes existentes são igualmente legítimos.   Enquanto o etnocentrismo é puro preconceito o relativismo cultural pertence à esfera da ciência:                        É resultado de muita pesquisa: a observação participante permitiu compreender, produzindo conceitos que dessem conta da diversidade das culturas e sociedades humanas: Enquanto o etnocentrismo é puro preconceito o relativismo cultural pertence à esfera da ciência:   
    É teoria: o relativismo cultural é um instrumento de análise que quando aplicado a outros conhecimentos (história, etnografia, etnologia) produz conhecimentos novos.
      A noção de relativismo cultural abrange três significados:
1.  Todo e qualquer elemento de uma cultura é relativo aos elementos que compõem aquela cultura, só tem sentido em função do conjunto.
2.  As culturas são relativas. Não há um padrão absoluto ‘a priori’ que permita julgar o certo e o errado, o belo e o feio entre as culturas.
3.  As culturas são equivalentes e, portanto, não se pode fazer uma escala em que cada cultura receba uma “nota”, de acordo com algum critério que indique o que é mais ou menos perfeito.
      É claro que existem sociedades econômica e militarmente superiores à outra.
      Mas nada prova que o etnocida é culturalmente superior à população massacrada.
      Nem Hitler em relação aos judeus; nem Bush em relação aos iraquianos.
      O Relativismo Cultural é o princípio que afirma que todos os sistemas culturais são intrinsecamente iguais em valor, e que os aspectos característicos de cada um têm de ser avaliados e explicados dentro do contexto do sistema em que aparecem.
      O Relativismo Cultural defende, o bem e o mal são relativos a cada cultura. O “bem” coincide com o que é “socialmente aprovado” numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade.

Construção da Alteridade.
      A palavra alteridade, que possui o prefixo ALTER  do latim, significa se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, com consideração, valorização, identificação com o outro mantendo o diálogo.          
    O significado da palavra alteridade possui o sentido de colocar-se no lugar do outro numa relação interpessoal junto com a consideração, valorização, e dialogando com o outro. Isso ocorre com relações étnicas, religiosas, etc. Não há a preocupação de destruição da outra cultura quando a prática da alteridade acontece , no modo de agir, de pensar ou falar, o etnocentrismo não vai ser um problema.
      A  alteridade, é portanto, a capacidade de conviver com o diferente, de se proporcionar um olhar interior a partir das diferenças. Significa que eu reconheço o outro em mim mesmo, também como sujeito aos direitos que eu, de igual direitos para todos, o que também gera deveres e responsabilidades, ingrediente da cidadania plena.                                                       
    A prática da alteridade leva ao ato da cidadania estabelecendo uma relação pacífica e construtiva com a diferença, conforme se identifique, discirna e aprenda a aprender com o contrário. O choque sempre ocorre, a partir do momento em que duas ou mais culturas encontram-se, mas isso é necessário para que haja a troca de informações entre eles, uma relação interpessoal.                                                             

O sinônimo é “relação interpessoal”. O Antônimo da palavra “alteridade” é “preconceito”
           
      A pratica da alteridade se conecta aos relacionamentos tanto entre indivíduos como entre grupos culturais religiosos, científicos, étnicos, etc.
      Na relação alteritária, está sempre presente os fenômenos holísticos[1] da complementaridade e da interdependência, no modo de pensar, de sentir e de agir, onde o nicho ecológico, as experiências particulares são preservadas e consideradas, sem que haja a preocupação com a sobreposição, assimilação ou destruição destas.

“Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos morrer juntos como idiotas” (Martin Luther King).
           
      A prática da alteridade conduz da diferença à soma nas relações interpessoais entre os seres humanos revestidos de cidadania.
      Pela relação alteritária é possível exercer a cidadania e estabelecer uma relação pacífica e construtiva com os diferentes, na medida em que se identifique, entenda e aprenda a aprender com o contrário.

Exercício 1.
01. De acordo com o conceito sociologico o que é cultura?
02. Cite cinco caracteristicas da cultura.
03. De acordo a cultura é inventada e essa invenção é composta por três elementos interdependentes: quais são esses elementos?
04. O que é identidade cultural?
05. Os Bens culturais podem ser classificados em duas categorias, quais são elas?
06. Cite exemplos de bens culturais?
07. Quais são os principais aspectos da Cultura?
08.  O que é traços culturais?
09. O que é complexo cultural?
10. O que é área Cultural?
11. O que é padrão Cultural?
12. O que é subcultura?
13. O que é contracultura?
14. O que é retardamento cultura?
15. O que é aculturação e de que maneira corre este fenômeno?
16. O que é cultura marginal?
17. O que é contracultura?
18. Defina controle social?
19. Quais são as principais agencias de controle?
20. Os controles sociais poder...
21. Quais os controles sociais mais presentes nas modernas?
22. Quais os controles mais presentes nas sociedades isoladas ou pequenas?
23. Qual a função do controle social?
24. Qual é o significado de pluralidade cultural?
25. O que é etnocentrismo?
26. O que é Relativismo cultural?

Exercício 2.

01. Marque as alternativas correta: Podemos dizer que todos os povos possuem cultura pois: 
a) A cultura é transmitida socialmente, de geração a geração;
b) A cultura não se baseia somente na linguagem escrita;
c) Todos possuem cultura;
d) Não existe classificação para as culturas em geral, assim, não existe cultura inferior ou superior;

02. Marque as alternativas correta. A cultura determina:
a) A posição econômica dos indivíduos;
b) Os valores de uma sociedade;
c) As ações e as regras da vida na sociedade;
d) A posição econômica faz com que o individuo tenha ou não cultura;

03. A cultura é transmitida de geração em geração. Esta afirmação é:
a) falsa, porque a cultura é dinâmica e altera-se de geração para geração.
b) verdadeira, porque a cultura é transmitida por herança genética.
c) falsa, porque a cultura é transmitida por diversos agentes de socialização.                         
d) verdadeira, porque a cultura é apreendida no processo de socialização.

04. Ao processo de transmissão e aprendizagem de cultura, particularmente importante na infância e adolescência, chamamos...
a) aculturação.                     b) controle social.
c) socialização.                    d) Socialização antecipada.

05. A cultura é característica de todas as sociedades humanas.  Esta afirmação é:
a) verdadeira, porque as sociedades humanas partilham valores universais.
b) falsa, porque a cultura varia de sociedade para sociedade.
c) verdadeira, porque a cultura é um produto da vida em sociedade.
d) falsa, porque as sociedades humanas têm evoluído ao longo do tempo.

06. De acordo com o conceito sociológico de cultura, um professor é considerado mais culto que um operário.  Esta afirmação é:
a) verdadeira, porque os professores têm níveis de escolaridade superiores aos dos operários.
b) falsa, porque alguns operários têm um nível de escolaridade idêntico ao dos professores.
c) verdadeira, porque o professor e o operário pertencem a grupos profissionais diferentes.
d) falsa, porque o operário e o professor pertencem a grupos com culturas diferentes.

07. Analise a proposição.
(...) Aqueles que são sábios sabem reconhecer que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saberem que vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.
            SANTOS, Pérsio, Ática, São Paulo,2000.

A proposição acima demonstra que:
A) há um modelo único de cultura.
B) cada sociedade possui sua própria cultura.
C) a transmissão da cultura ocorre, apenas, através da escola.
D) a contracultura predomina nesse contexto.

08. O texto ainda retrata um tipo de:
A) Educação informal e subcultura.
B) Educação informal e marginalidade cultural.
C) Educação formal e marginalidade cultural.
D) Educação formal e contra cultural.

09. Ao ressaltar a necessidade de compartilhamento da mesma cultura, o texto apresenta o que se chama de.
A) Associativismo.          C) Envolvimento Cultural.
B) Contracultura.             D) Identidade Cultural.

10. As tribos urbanas, tais como góticos, são exemplos culturais de.
A) contracultura.                     C) complexo cultural.
B) traços culturais.                   D) subcultura.

11. É exemplo de contracultura
A) o movimento hippie.
B) o movimento dos sem-teto.
C) o movimento dos sem-terra.
D) o movimento social.

12. Consumismo é uma das características da
A) Cultura de massa.              C) Cultura popular.
B) Cultura erudita.                  D) Cultura industrial.

13. Na sociedade societária, as relações sociais são
A) baseadas, unicamente, em contatos primários.
B) duradouras, inclusivas e pessoais.
C) transitórias, superficiais e impessoais.
D) simples e íntimas.
Atividade

Atividade: 1.
Faça uma análise[2] dos textos A e B utilizando os conceitos de natureza, cultura, instinto e razão desenvolvidos no texto acima.                                  
 A) Uma aranha executa operações que se assemelham às manipulações do tecelão, e a construção das colméias pelas abelhas poderia envergonhar, por sua perfeição, mais de um mestre-de-obras. Mas há algo em que o pior mestre-de-obras é superior à melhor abelha, e é o fato de que, antes de executar a construção, ele a projeta em seu cérebro (Karl Marx).
B) Suponhamos que num planeta desconhecido encontramos seres vivos que fabricam utensílios. Isso não nos dará a certeza de que eles se incluem na ordem humana. Imaginemos, agora, esbarrarmos com seres vivos que possuam uma linguagem que, por mais diferente que seja da nossa, possa ser traduzida para a nossa linguagem – seres, portanto, com os quais poderíamos nos comunicar. Estaríamos, então, na ordem da cultura e não mais da natureza . (Claude Lévi-Strauss).


[1] Holístico é um termo que ao mesmo tempo indica uma tendência ao ver o todo além das partes, ele considera  esse todo como santo e sagrado. O movimento holístico consiste em passar da realidade relativa do mundo concreto a realidade absoluta do mundo de luz e de integrar os dois mundos de tal modo que o programa do todo se encontra em todas as partes.
[2] Diferença entre analise e síntese. Análise diversas partes de um todo. Na leitura de um texto significa fazer investigação e explicação das diversas partes dele, parágrafo por parágrafo, ou até frases por frases. Síntese: Exposição abreviada e genérica. Na leitura de um texto nada mais é do que o resumo.

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