sábado, 15 de novembro de 2014

AULA PARA 2ª SÉRIE DO C.E.J.E.M.S.



COLÉGIO ESTADUAL JOSÉ EDUARDO DE MACEDO SOARES
PROF. Antonio Nelson / Disc. Filosofia / 2ª Série do Ensino Médio/ 4ª Bimestre
NOME: ________________________________________________ Nº___ Turma:_______Data__/__/14

Aula 01: noção de razão na modernidade
               Nossa época, diz Kant, é propriamente a época da crítica, à qual tudo deve submeter-se.
Caro aluno, nesta atividade, iremos conhecer e discutir um importante tema da filosofia. Muitos pensadores se preocuparam com esse assunto e você poderá perceber como esse tema a “noção de razão na modernidade” também diz respeito a todos nós. Então, vamos conhecer uma pouca mais da filosofia?!
          Muitas vezes são atribuídas à modernidade ou à racionalidade, ou à razão, ou à "racionalidade moderna", entre outros nomes, as inúmeras atrocidades que tiveram lugar no século XX. Entre os mais importantes dos primeiros pensadores hostis à "razão moderna" encontra-se Pascal. Mais próximos de nós, os pensamentos de Nietzsche, Heidegger, por um lado, e de Max Weber e Adorno, por outro, são, provavelmente, as mais importantes matrizes contemporâneas dessa desconfiança.
Entre os contemporâneos, são muitos os que, como Zygmunt Bauman, argumentam que os genocídios e massacres do século passado resultaram das concepções modernas da sociedade. Um exemplo: o cientista político e antropólogo norte-americano James Scott afirma que grande parte das tragédias políticas do século XX "agitaram a bandeira do progresso, da emancipação e da reforma" que, segundo ele, caracterizam os tempos modernos.
Por isso, caro aluno, pense e reflita sobre os seguintes pontos:
1) a nossa época, isto é, a modernidade, é a época da crítica? Por quê?
2) a crítica é uma manifestação da razão? Justifique.
3) a crítica se dá o direito de investigar, de modo irrestrito e público, absolutamente tudo?
4) a crítica não respeita ou endossa coisa alguma que não se submeta ao seu critério;
5) a crítica é capaz de criticar a si própria?
Etimologicamente, crítica quer dizer separação, distinção, escolha, seleção, juízo. É a crítica que separa, por exemplo, a esfera religiosa da esfera secular, separação que consideramos característica da modernidade.
É verdade que, além de ser crítica, a razão é também usada como um instrumento para a construção de sistemas de pensamento: de teorias científicas, tecnologias, obras de arte, conceitos filosóficos, concepções teológicas, ideologias e até de religiões.
Contudo, na modernidade, essas mesmas construções da razão instrumental, como tudo o que há, também estão sujeitas a serem criticadas pela própria razão. Pois bem, na medida em que as construções da razão sejam subtraídas à crítica, esta as rejeita. É o caso das ideologias que serviram de pretexto para justificar as violências totalitárias. Ainda mais grave e incompatível com a crítica é a constituição de impedimentos, como a censura, para o seu exercício. Ora, uma vez que qualquer totalitarismo, mesmo quando tenta justificar-se com argumentos racionalmente construídos, estabelece impedimentos para o exercício da crítica universal, irrestrita e pública.
Atividade 01 Vamos exercitar nossos conhecimentos?
01) A crise da razão se manifesta na crise do indivíduo, por meio da qual se desenvolveu. A ilusão acalentada pela filosofia tradicional sobre o indivíduo e sobre a razão – a ilusão da sua eternidade – está se dissipando. O indivíduo outrora concebia a razão como um instrumento do eu, exclusivamente. Hoje, ele experimenta o reverso dessa autodeificação.
(HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. São Paulo: Centauro, 2000, p.131.)
Com base nos conhecimentos sobre a crise da razão e do indivíduo, considere as afirmativas a seguir.
I. A crise do indivíduo implica sua fragmentação: embora ele ainda se represente, a imagem que possui de si é incompleta, parcial.
II. A crise do indivíduo resulta de uma incompreensão: ignorar que ele é uma particularidade ordenada (microcosmo) inserida numa totalidade ordenada (macrocosmo).
III. O indivíduo, que é unitário, apreende a si mesmo e ao mundo plenamente, faltando-lhe, porém, os meios adequados para comunicar tal conhecimento.
IV. O desenvolvimento das ciências humanas levou a uma recusa da ideia universal de homem: nega-se à razão o poder de fundamentar absolutamente o conhecimento sobre o indivíduo. 
 Assinale a alternativa correta.
A) Somente as afirmativas I e II são corretas. 


B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
02. O ser humano, desde sua origem, em sua existência cotidiana, faz afirmações, nega, deseja, recusa e aprova coisas e pessoas, elaborando juízos de fato e de valor por meio dos quais procura orientar seu comportamento teórico e prático. Entretanto, houve um momento em sua evolução histórico-social em que o ser humano começa a conferir um caráter filosófico às suas indagações e perplexidades, questionando racionalmente suas crenças, valores e escolhas. Nesse sentido, pode-se afirmar que a filosofia:
A) é algo inerente ao ser humano desde sua origem e que, por meio da elaboração dos sentimentos, das percepções e dos anseios humanos, procura consolidar nossas crenças e opiniões.
B) existe desde que existe o ser humano, não havendo um local ou uma época específica para seu nascimento, o que nos autoriza a afirmar que mesmo a mentalidade mítica é também filosófica e exige o trabalho da razão.
C) inicia sua investigação quando aceitamos os dogmas e as certezas cotidianas que nos são impostos pela tradição e pela sociedade, visando educar o ser humano como cidadão.
D) surge quando o ser humano começa a exigir provas e justificações racionais que validam ou invalidam suas crenças, seus valores e suas práticas, em detrimento da verdade revelada pela codificação mítica.

03. O pensamento moderno é fortemente marcado por duas famosas correntes filosóficas, a saber: o racionalismo e o empirismo. Esta defende que somente a sensação é fonte confiável para um conhecimento seguro, conforme diz Hume; aquela, ao contrário, afirma ser a razão a fonte de todo e qualquer conhecimento, sendo Descartes o expoente de tal corrente. Assim, a frase que melhor expressa o pensamento de Descartes é:
A) “penso, logo existo”;
B) “nada há no intelecto que não tenha passado pelos sentidos”;
C) “a existência precede a essência”;
D) “a existência depende da essência”;
E) “a existência é determinada por Deus”

Aula 2: ciência e cientificismo
Caro aluno, nesta atividade, iremos conhecer um pouco mais da filosofia e sua relação com a ciência. O título é ciência e cientificismo. Vamos estudar?
Ciência é um dos modos pelo qual o homem tenta explicar a realidade a sua volta, "um sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, assim como ao corpo organizado de conhecimento conseguido através de tal pesquisa". Esse método científico geralmente é rigoroso e sempre se baseia em dados empíricos e falseáveis, isto é, dados adquiridos de experimentações, e que podem ser comprovados por esses experimentos.
Já o cientificismo é a valorização exagerada do conhecimento científico, visto como o único conhecimento perfeito. Porque se preocupa reduzir tudo o que existe à ciência. Será que a ciência pode abarcar todo o conhecimento? Será que todas as explicações são científicas? Será que não existe nada além da ciência?
Então, qual deverá ser o papel do filósofo diante da ciência? É importante pensar! Assim, é muito bom discutir os conceitos que são usados, da validade dos métodos, do valor das conclusões, bem como da concepção de homem subjacente a cada ciência, estabelecer a interdisciplinaridade dos diversos campos do saber, refletir, investigar e analisar as condições em que se realizam as pesquisadas e as consequências das técnicas utilizadas.
Assim, por exemplo, os filósofos apontam para certo risco do cientificismo, pois tal conceito é a crença de que o único discurso capaz de trazer a verdade sobre o mundo, que o único discurso "correto" é o científico. É acreditar que toda a realidade humana pode ser descrita pela ciência, e somente por ela.
Nada mais falso, já que a ciência é limitada pelo método que utiliza, que enfoca a realidade apenas em uma de suas facetas, além de que outros discursos, como o da Filosofia e das Artes, por exemplo, também podem abordar satisfatoriamente muitos aspectos da realidade. E muitas vezes de maneira bem mais profunda do que a ciência.
Por isso, aluno não deixe de estudar e de refletir sobre o verdadeiro papel da ciência em nossas vidas.

Atividade 02: Leia com atenção e responda as questões que se seguem.
01. “Para concluir, acho que só há um caminho para a ciência – ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonarmo-nos por ele; casarmo-nos com ele, até que a morte nos separe – a não ser que encontremos outro problema ainda mais fascinante, ou a não ser que obtenhamos uma solução. Mas ainda que encontremos uma solução, poderemos descobrir, para nossa satisfação, a existência de toda uma família de encantadores, se bem que talvez difíceis, problemas-filhos, para cujo bem-estar poderemos trabalhar, com uma finalidade em vista, até ao fim dos nossos dias.” (POPPER, Karl. O Realismo e o objetivo da ciência. Trad. de Nuno Ferreira da Fonseca. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997. p. 42.)
Com base no texto e nas discussões, assinale a alternativa correta.
A) Para a ciência e a filosofia, a solução dos problemas que elas mesmas propõem é um objetivo inatingível.
B) Os problemas, filosóficos ou científicos, são prejudiciais à investigação.
C) Para a investigação científica, ou filosófica, é irrelevante a existência de problemas.
D) A ciência e a filosofia investigam problemas que constituem para elas o elemento motivador de suas próprias atividades.

02. A filosofia, no que tem de realidade, concentra-se na vida humana e deve ser referida sempre a esta para ser plenamente compreendida, pois somente nela e em função dela adquire seu ser efetivo. VITA, Luís Washington. Introdução à Filosofia, 1964, p. 20.
Sobre esse aspecto do conhecimento filosófico, é CORRETO afirmar que
A) a consciência filosófica impossibilita o distanciamento para avaliar os fundamentos dos atos humanos e dos fins aos quais eles se destinam.
B) um dos pontos fundamentais da filosofia é o desejo de conhecer as raízes da realidade, investigando-lhe o sentido, o valor e a finalidade.
C) a filosofia é o estudo parcial de tudo aquilo que é objeto do conhecimento particular.
D) o conhecimento filosófico é trabalho intelectual, de caráter assistemático, pois se contenta com as respostas para as questões colocadas.

03. “Primeiro foi o espanto, depois o despertar crítico e a decepção. O ser humano queria uma explicação para o mundo, uma ordem para o caos. Ele queria, enfim, a verdade. Essa busca da verdade tornou-se cada vez mais exigente com o conhecimento que adquiria e transmitia. Ambicioso, o homem sentia uma necessidade crescente de entender e explicar de maneira clara, coerente e precisa. Essa busca do saber fez nascer a filosofia.”
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente a atitude filosófica.
A) O conhecimento filosófico é uma conquista recente da humanidade: no pensamento grego antigo, filosofia e mitologia encontravam-se unidas e só vieram a se separar no século XVII, com a ciência galileana.
B) A atitude filosófica caracteriza-se pela passagem do senso comum para o bom senso: enquanto o senso comum é conhecimento acrítico e fragmentário da realidade, o bom senso trata de organizá-lo criticamente em um todo coerente, o qual podemos chamar de filosofia de vida.
C) A dúvida e a incerteza do pensamento caracterizam exemplarmente a atitude filosófica: “Só sei que nada sei” é, desde Sócrates, a proposição que expressa o método, por excelência, da filosofia.
D) A exigência de rigor, clareza e crítica é própria da atitude filosófica. Em seu exercício ordinário, a filosofia é essencialmente teórica, mas isso não significa que ela esteja à margem do real, do mundo.

Aula 3: escola: espaço democrático e de conhecimento
Caro aluno, agora chegou a hora de discutirmos a escola como espaço de democratização do saber e de construção do conhecimento. Isso também é uma questão filosófica. O que será uma escola democrática? A sua escola é? Qual a relação de escola democrática com a filosofia?
Uma das características marcantes desse tipo de escola é o diálogo entre todos os envolvidos no processo: por exemplo, pais, educadores e estudantes se reúnem em uma Assembleia para conversarem sobre o que é necessário para a escola, desde o conteúdo na sala de aula, até se a escola precisa de pintura ou não, em algumas escolas até as crianças de dois anos participam desta reunião.
A escola democrática é diferente da escola tradicional. Os alunos junto com os professores escolhem o que será aprendido. A outra é a escola que muitos de nós estudamos, ou estudou, onde as coisas simplesmente são impostas aos alunos, como se estes não fizessem parte do processo.
A escola, enquanto espaço de construção de conhecimento, deve despertar o interesse de alunos pela preservação da Escola através de aprendizado multidisciplinar. O espaço escolar e o conhecimento podem despertar projeto de interesse dos alunos das escolas para preservação da Escola como patrimônio público-cultural. Por isso, cuide da sua escola
Atividade 3
01. “Só se pode entender o que é a filosofia, a que ponto ela não é uma coisa abstrata – da mesma forma que um quadro ou uma obra musical não são absolutamente abstratos –, só através da história da filosofia, com a condição de concebê-la corretamente. (...) Há uma coisa que me parece certa: um filósofo não é uma pessoa que contempla e também não é alguém que reflete. Um filósofo é alguém que cria. Só que ele cria um tipo de coisa muito especial, ele cria conceitos. Os conceitos não nascem prontos, não andam pelo céu, não são estrelas, não são contemplados. É preciso criá-los, fabricá-los em função dos problemas que são constituídos, problemas que o pensamento enfrenta e que têm um sentido. [Em suma,] fazer filosofia é constituir problemas que têm um sentido e criar os conceitos que nos fazem avançar na compreensão e na solução dos problemas”. Gilles Deleuze. (COTRIM. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. 16ª Ed., São Paulo: Saraiva, 2006).
Sobre o excerto acima seguem as seguintes afirmações:
I. Para Deleuze a tarefa do filósofo é criativa.
II. Conforme a concepção de Deleuze cabe à filosofia contemplar e refletir sobre os problemas que existem desde sempre e, para eles, encontrar conceitos que verdadeira e definitivamente os solucionem.
III. A filosofia é uma atividade criativa, assim como a arte, no entanto o que ela cria são conceitos.
IV. Deleuze retira do filósofo o direito à reflexão sobre o mundo ou sobre o que os outros filósofos pensaram.
Dessas afirmações
A) apenas uma está correta.                                                          B) apenas uma está incorreta.
C) duas estão corretas e duas estão incorretas.                             D) todas estão corretas.
E) todas estão incorretas.

Avaliação
01. Explique a diferença entre ciência e cientificismo.

02. Como a escola pode ser um espaço de democracia e de construção de novos saberes? Justifique sua resposta.

As questões de 3 a 5 são objetivas. Assinale a única resposta correta em cada uma das questões.
03. Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta.
(__) O saber científico, em última análise, se opõe ao saber filosófico: os conhecimentos científicos são inquestionavelmente certos, coerentes e infalíveis. Diferente disto, a atitude filosófica é, por excelência, caracterizada como indagação e crítica, cujos principais norteadores são a dúvida e a incerteza.
(__) O saber científico, em última análise, não se opõe ao saber filosófico. O que os diferencia é, sobretudo, uma questão de enfoque: a ciência interessa-se mais em resolver problemas específicos, delimitados, enquanto a filosofia busca estabelecer uma interdisciplinaridade dos diversos campos do saber.
(__) O trabalho da ciência pressupõe, como condição, o trabalho da filosofia. As pretensões da ciência são fundamentadas, principalmente, na confiança que ela deposita na racionalidade dos conhecimentos: este fundamento das ciências, por exemplo, não é científico, mas sim filosófico.
(__) A reflexão empreendida pela filosofia deve, necessariamente, ser desinteressada, neutra e, principalmente, separada do que ocorre no mundo. Ela tem um compromisso com o rigor e a verdade dos resultados das pesquisas científicas, ou seja, pelo fato de ser uma disciplina teórica, deve, necessariamente, abster-se dos acontecimentos da vida social.
A) V,F,V,V.
B) F,F,F,V.
C) F,V,V,F.
E) F,V,F,V.

04. Sobre o conceito Filosofia, assinale a alternativa CORRETA.
A) É o exame do conhecimento em sua generalidade que se desdobra por meio da dialética humana: da prática ao conhecimento e desse conhecimento de retorno à prática.
B) É um exercício sistemático do pensar com clara inspiração científica.
C) É, por si mesma, uma interface sistemático-conceitual que busca ser a extensão do conhecimento rigoroso e sistematizado.
D) É uma análise lógico-crítica da realidade.

05. “Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo. A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres que agem no mundo. [...] A reflexão filosófica também se volta para essas relações que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos nessas relações.”
Sobre a Filosofia, conforme o texto acima, seguem as seguintes afirmações:
I. Independentemente de seu conteúdo ou objeto, uma característica fundamental da Filosofia é a indagação, a interrogação.
II. A Filosofia direciona perguntas como “o que é?”, “por que é?” e “como é?” ao mundo que nos cerca, ao próprio homem e às relações que o homem estabelece.
III. A Filosofia não é algo importante porque não somos apenas seres pensantes.
IV. A reflexão sobre o conhecer e o agir humanos fazem parte da reflexão filosófica.
V. A reflexão filosófica é radical porque é feita sem nenhum tipo de objetivo.
Das afirmações feitas acima
A) apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
B) apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
C) apenas as afirmativas I, II, III e V estão corretas.
D) todas as afirmativas estão corretas.
E) todas as afirmativas estão incorretas.

AULA PARA 1ª ´SERIE DO C.E. J. E. M. S.


 

COLÉGIO ESTADUAL JOSÉ EDUARDO DE MACEDO SOARES
PROF. Antonio Nelson / Disc. Filosofia / 1ª Série do Ensino Médio/ 4ª Bimestre

Aula 01: A filosofia, o que é isso?

Caro aluno, nesta atividade, iremos conhecer um pouco mais da filosofia. Mas, afinal, o que é a filosofia? Essa pergunta coloca-se tão logo começamos a estudá-la. E nesse processo de formação filosófica, tal pergunta sempre irá nos acompanhar. Por isso, aluno, é importante que você continue a aprofundar seus estudos. Vamos conhecer ainda mais a filosofia?!
Veja o diálogo a seguir. Leia com atenção e reflita. O que é a filosofia?
Depois que você pensou, pergunte a você mesmo: é possível definir a filosofia? Será que ela, a filosofia, possui um único sentido? Será que a riqueza da filosofia não está exatamente na sua pluralidade, nas suas diversas possibilidades?
Assim, podemos dizer que a filosofia nasceu como uma forma específica de pensar, como interrogação sobre o próprio homem como ser no mundo, quando o homem passou a confrontar-se com as entidades míticas e religiosas e procurou uma explicação racional para a sua existência e a existência das coisas. Por isso, a filosofia é uma reflexão crítica sobre o conhecimento, sobre a ação e sobre o Ser.
Veja o que disse Aristóteles, importante pensador grego que você certamente já estudou. Ele diz o seguinte:
“Com efeito, foi pela admiração que os homens começaram a filosofar tanto no princípio como agora; perplexos, de início, ante as dificuldades mais óbvias, avançaram pouco a pouco e enunciaram problemas a respeito das maiores, como os fenômenos da Lua, do Sol e das estrelas, assim como a gênese do universo. E o homem que é tomado de perplexidade e admiração julga-se ignorante (por isso o amigo dos mitos é, em certo sentido, um filósofo, pois também o mito é tecido de maravilhas); portanto, como filosofavam para fugir à ignorância, é evidente que buscavam a ciência a fim de saber, e não com uma finalidade utilitária”. (ARISTÓTELES. Metafísica. Livro I. Tradução Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969. p. 40.)
Por isso, caro aluno, ao se reconhecerem ignorantes e, ao mesmo tempo, se surpreenderem diante do anseio de conhecer o mundo e as coisas nele contidas, os seres humanos foram tomados de espanto, o que deu início à filosofia. E você já se admirou com alguma coisa na sua vida? Certamente que sim. E, portanto, você pode concluir que já teve uma experiência filosófica.

Atividade 01
01. Explique o que é a filosofia.
02. O florescimento da filosofia ocorre a partir das realizações dos chamados filósofos pré-socráticos, como Tales de Mileto, Anaxágoras, Anaxímenes, entre outros. Essa nova maneira de pensar conflitava em muitos aspectos com a maneira de pensar expressa nos mitos ou nas narrativas mitológicas desenvolvidas na Grécia.
          Uma diferença entre a forma de pensamento da filosofia pré-socrática e a fundamentada nos mitos é:
a) a preocupação com a explicação dos fenômenos naturais.
b) a visão animista com base na qual se explicam os fenômenos naturais.
c) a preocupação dos pré-socráticos com questões éticas ou morais.
d) a sistematização do conhecimento sobre o mundo mediante a busca de princípios.

03. O desenvolvimento da Filosofia, aprender a filosofar, é um apelo à superação do senso comum. Superar o senso comum é um apelo à conquista de um elevado nível de leitura, interpretação e entendimento do mundo. A superação do senso comum induz a uma forma desenvolvida, organizada, superior de reflexão e entendimento da realidade. Superar o senso comum significa dar cientificidade ao próprio pensamento, é fazer filosofia. Explique como a filosofia pode superar o senso comum.

04. Segundo Marilena Chauí, na obra Convite à filosofia, a resposta à pergunta “O que é filosofia?” poderia ser: “a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido”.
Após ler com atenção essa definição, assinale a alternativa correta.
a) A filosofia identifica-se inteiramente com o senso comum.
b) As reflexões filosóficas apresentam o mesmo nível qualitativo das reflexões cotidianas. c) Filosofar significa apresentar um ponto de vista crítico sobre a realidade.
d) A filosofia deve, necessariamente, apresentar um ponto de vista místico ou religioso sobre a realidade.
e) Todo filósofo é necessariamente ateu.

Aula 2: Doxa e episteme.
Agora, caro aluno, você vai conhecer uma importante discussão da filosofia. É a distinção entre doxa e episteme. São palavras estranhas quando temos um primeiro contato, mas logo você vai perceber que são de fácil entendimento.
Doxa é a palavra grega que significa "opinião". E a episteme é a palavra grega para "conhecimento".
Mas você deve estar se perguntando: qual a diferença entre doxa e episteme?
Na filosofia platônica, Platão define o dualismo epistemológico, que é a divisão do conhecimento em duas partes. A Doxa é opinião e é como se fosse o primeiro conhecimento. É como se fosse um conhecimento superficial, aparente. Tal conhecimento baseia-se nas alterações, no imperfeito, no que é passageiro. A doxa é conhecido como o nível mais baixo do conhecimento, cópias dos objetos originais como uma imagem ou uma sombra.
Já a episteme baseia a sua existência sobre o conhecimento de ideias perfeitas e que são a essência de tudo o que existe. Podemos facilmente relacionar a episteme ao "saber" e ao "conhecimento", ou seja, o verdadeiro conhecimento diferente da opinião, mas não qualquer conhecimento vago, mas o conhecimento das coisas necessariamente verdadeiras, de uma forma em que haja combinação entre a ciência e o saber. 
Trazendo para o nosso cotidiano, podemos identificar tais conceitos quando estabelecemos algum juízo frente a determinado objeto ou assunto, ou ainda, pessoa ou situação. Assim, meu caro aluno, fazemos julgamento a partir de uma primeira impressão, com poucas informações para construir uma verdade sequer aproximada da realidade efetiva do que está sendo analisado, devido à ausência de conhecimento que produza uma opinião de fato consistente e realista.

Com relação à episteme, podemos identificá-lo como o conhecimento construído de forma racional e científica, em que exista uma base prévia de informações que fundamente a “perfeição” da ideia, diante de um conjunto de evidências capazes de comprovar os embasamentos levantados.
Por isso, Platão definiu doxa é o conhecimento imperfeito e episteme é a ciência, o conhecimento por excelência.

 

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Veja que existem diferentes formas de conhecimento. E você consegue perceber a importância da pluralidade de conhecimentos presentes em nossa vida?

Atividade 02
01. No pensamento platônico, doxa e episteme apresentam-se como conceitos distintos, pois:
A) Doxa é o conhecimento perfeito e episteme o pensamento típico dos sofistas.
B) Doxa retrata a razão e episteme o desejo, a imperfeição.
C) Doxa retrata a eternidade e episteme a temporalidade.
D) Doxa é o conhecimento imperfeito e episteme é a ciência, o conhecimento por excelência.

02. Filósofo que escreveu o texto "O mito da caverna" no qual apresenta de maneira alegórica o mundo de aparência em que vivem os, nossos preconceitos e opiniões, nossa crença de que a realidade é apenas aquilo que estamos vendo, qual o papel da filosofia e do filósofo em nossas vidas e o que é a verdade. Marque a alternativa que apresenta o nome do filósofo responsável pela descrição acima.
A) Aristóteles               B) Platão                    C) Heráclito                                D) Sócrates

03. No livro Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, a Rainha Vermelha diz uma frase enigmática: Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar.(CARROL, L. Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p.186.)
Já na Grécia antiga, Zenão de Eleia enunciara uma tese também enigmática, segundo a qual o movimento é ilusório, pois numa corrida, o corredor mais rápido jamais consegue ultrapassar o mais lento, visto o perseguidor ter de primeiro atingir o ponto de onde partiu o perseguido, de tal forma que o mais lento deve manter sempre a dianteira. (ARISTÓTELES. Física. Z 9, 239 b 14. In: KIRK, G. S.; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, M. Os Pré-socráticos. 4.ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p.284.)
Com base no problema filosófico da ilusão do movimento em Zenão de Eleia, é correto afirmar que seu argumento:
A) baseia-se na observação da natureza e de suas transformações, resultando, por essa razão, numa explicação naturalista pautada pelos sentidos.
B) confunde a ordem das coisas materiais (sensível) e a ordem do ser (inteligível), pois avalia o sensível por condições que lhe são estranhas.
C) ilustra a problematização da crença numa verdadeira existência do mundo sensível, à qual se chegaria pelos sentidos.
D) mostra que o corredor mais rápido ultrapassará inevitavelmente o corredor mais lento, pois isso nos aponta as evidências dos sentidos.

Aula 3: Filosofia grega e o mundo Ocidental
A filosofia surgiu quando alguns gregos, insatisfeitos com as explicações que lhes davam, começaram a questionar e buscar respostas diferentes. É fato que na época tudo era explicado segundo mistérios divinos, porém isto não bastava para eles.
Estes gregos acabaram descobrindo que as ações e os acontecimentos humanos e até a natureza podem ser explicados pela razão, e que a última tem a capacidade de conhecer-se.
A filosofia desvendou um emaranhado de mistérios e segredos que rondavam a verdade. Ainda afirmou que este conhecimento não era restrito aos “escolhidos” ou às divindades e estava disponível a todos, poderia ser encontrado.
A filosofia grega deixou muitas marcas e foi o início do desenvolvimento de outros pensamentos. Vale lembrar que, como colônias de países europeus, a América também tem resquícios deste legado deixado pelos gregos e fortemente presente na Europa.
Neste legado estão presentes as seguintes ideias, entre outras:
I. A natureza segue algumas leis e princípios iguais em todos os locais e tempos, são universais. Um exemplo claro é a lei da gravitação de Isaac Newton, importante físico do período moderno;
II. As leis da natureza podem ser conhecidas por qualquer um e não são misteriosas e/ou secretas;
III. O pensamento também obedece às leis universais, ele é lógico e obedece a uma lógica, assim temos capacidade de distinguir a verdade da falsidade;
IV. A prática humana depende da vontade livre, não desconhecida e oculta, segundo nossas preferências, valores e padrões;
V. Os acontecimentos humanos são necessários e obedecem às leis naturais, mas também podem ser contingentes ou acidentais. A pedra cai, pois a gravidade a puxa, isso é natural. O homem anda, pois a natureza assim o permite. Porém, o fato da pedra cair na cabeça do homem que anda é acidental ou contingente. Apesar de poder conhecer as leis, nem tudo está no controle humano;
VI. Os seres humanos criam valores que dão sentido a tudo que fazem.
E muitas outras coisas surgiram no mundo ocidental em função da filosofia grega!!

Atividade 3
01. O surgimento da filosofia entre os gregos (Séc. VII a.C.) é marcado por um crescente processo de racionalização da vida na cidade, em que o ser humano abandona a verdade revelada pela codificação mítica e passa a exigir uma explicação racional para a compreensão do mundo humano e do mundo natural. Dentre os legados da filosofia grega para o Ocidente, destaca-se:
A) a concepção política expressa em A República, de Platão, segundo a qual os mais fortes devem governar sob um regime político oligárquico.
B) a criação de instituições universitárias como a Academia, de Platão, e o Liceu, de Aristóteles.
C) a filosofia, tal como surgiu na Grécia, deixou-nos como legado a recusa de uma fé inabalável na razão humana e a crença de que sempre devemos acreditar nos sentimentos.
D) a recusa em apresentar explicações preestabelecidas mediante a exigência de que, para cada fato, ação ou discurso, seja encontrado um fundamento racional.

02. A Democracia grega era bem diferente da democracia atual. Assinale a alternativa que reúne as principais diferenças entre a democracia grega e a democracia atual:
A) A democracia grega era representativa, pois os cidadãos escolhiam o colegiado, que os representaria na polis,
B) Na democracia grega, todos podiam votar, inclusive os escravos. Na democracia atual, os negros e índios não podem votar.
C) Na democracia grega os homens se reuniam e escolhiam o colegiado; na democracia atual, os próprios cidadãos vão ao Congresso Nacional para expressar suas opiniões.
D) A democracia atual é uma continuação da democracia grega, com a única diferença que, hoje, as cidades se transformaram em grandes metrópoles.
E) A democracia grega era direta e a democracia atual é representativa, da mesma forma que na democracia grega só cidadãos homens livres podiam votar e hoje todas pessoas aptas podem votar.

03. A palavra Filosofia é resultado da composição em grego de duas outras: philo e sophia. A partir do sentido desta composição e das características históricas que tornaram possíveis, na Grécia, o uso de tal palavra, pode-se afirmar que
A) a Filosofia indica que o homem possui um saber, e o deseja, procurando a verdade por meio tão somente da observação.
B) a palavra indica a posse de um saber divino e pleno, tornando os homens verdadeiros deuses.
C) a Filosofia é um saber técnico, possibilitando, pela posse ou não de uma habilidade, tornar alguns homens os melhores.
D) a Filosofia indica que o homem não possui um saber, mas o deseja, procurando a verdade por meio do pensamento e reflexão.

Avaliação
01. Os conhecimentos humanos, além de pertencerem a distintos campos, têm também diferentes níveis. Os antigos gregos já tinham percebido que o domínio do conhecimento não é igual em todas as pessoas. O entendimento científico, filosófico ou teológico não é igual em todas as pessoas. Há pessoas que, por diversos fatores sociais, culturais e históricos, entendem mais ou entendem menos as realidades que as cercam, têm diferentes níveis de leitura, percepção e compreensão de mundo. Explique os diferentes níveis de conhecimento que o gregos denominavam como doxa, sofia e episteme.

02. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas inferências relacionadas às características da atividade filosófica:
(__) A filosofia é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica fundamental é o uso de argumentos lógicos.
(__) Os filósofos analisam e clarificam conceitos.
(__) Os filósofos ocupam-se de questões acerca da religião, da política, da arte, dentre outras, que podemos chamar vagamente “o sentido da vida”.
(__) A filosofia é uma ciência da mesma forma que a biologia.
(__)A radicalidade, universalidade e visão de conjunto são características fundamentais da reflexão filosófica.
Marque a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo: 
A) V,V,V,V,F.       B)V,V,V,F,V.     C) F,F,V,V,F.        D) V,F,V,V,F.             E) V,V,V,F,F. 
 
03. Sobre o conhecimento filosófico, atente ao texto que se segue:  “O conhecimento filosófico é, diversamente do conhecimento científico, um conhecimento crítico, no sentido de que põe sempre em problema o conhecimento obtido pelos processos da Ciência. MARTINS, J S. Preparação à Filosofia, 1969, p. 9.
Tomando como base o conhecimento filosófico, coloque V nas afirmativas verdadeiras e F nas falsas.
(__) A filosofia é um tipo de saber, que não diz tudo o que sabe e uma norma que não enuncia. tudo aquilo que postula. O saber filosófico, portanto, é profundo, mesmo quando parece mais claro e transparente.
(__) A filosofia deve ser estudada e ensinada com base nos problemas que suscita e não apenas em virtude das respostas que proporciona a esses mesmos problemas.
(__) A filosofia se faz presente como reflexão crítica a respeito dos fundamentos do conhecimento e da ação, por isso mesmo distinta da ciência pelo modo de abordagem do seu objeto que, no caso desta, é particular e, no caso da filosofia, é universal.
(__) O percurso da filosofia é caracterizado pela exigência de clareza e de livre crítica.
(__) O conhecimento filosófico apresenta-se como a ciência dos fundamentos. Sua dimensão de profundidade e radicalidade o distingue do conhecimento científico.
           Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA
A)V,F,V,F,V.         B) F,V,F,V,V.       C) V,V,F,F,V.            D) V,V,V,V,V.        E) F,V,F,V,F.
04. “Que representa a Filosofia? É uma das raras possibilidades de existência criadora. Seu dever inicial é tornar as coisas mais refletidas, mais profundas.” (Heidegger, Martin). Nessa perspectiva, é correto afirmar que a Filosofia:
A) é uma atividade de crítica e de análise dos valores de uma dada sociedade, na perspectiva de reorientação dos sentidos/significados da vida e do mundo.
B) começa dizendo sim às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que sabemos o que imaginávamos saber.
C) não se distingue da ciência pelo modo como aborda seu objeto em todos os setores do conhecimento e da ação.
D) é uma atividade de acrítica e de análise dos valores de uma dada sociedade com base no senso comum e nas crenças humanas.

05. A prática filosófica exige do sujeito disposição para o questionamento e a indagação. Desconfiar do óbvio é uma das exigências da reflexão filosófica. Com base nessa afirmativa e em seus conhecimentos filosóficos, é correto afirmar que a prática filosófica:
A) é importante, pois promove a abertura intelectual, possibilitando mudanças na vida do ser humano;
B) não enxerga nada da realidade, pois seu objeto é apenas transcendental;
C) é igual a qualquer outra prática humana, por ser apenas informação;
D) não trabalha com o pensamento racional;
E) necessita apenas de bom-senso.