segunda-feira, 29 de outubro de 2012

SENSO COMUM E PENSAMENTO CIENTIFICO.

Senso comum


O senso comum é visto como a compreensão de todas as coisas por meio do saber social, ou seja, é o saber que se adquire através de experiências vividas ou ouvidas do cotidiano. Engloba costumes, hábitos, tradições, normas, éticas e tudo aquilo que se necessita para viver bem.
No senso comum não é necessário que haja um parecer científico para que se comprove o que é dito, é um saber informal que se origina de opiniões de um determinado indivíduo ou grupo que é avaliado conforme o efeito que produz nas pessoas. É um saber imediato, subjetivo, heterogêneo e acrítico, pois se conforma com o que é dito para se realizar, utiliza várias ideias e não busca conhecimento científico para ser comprovado.
De maneira espontânea e sem querer as pessoas utilizam o senso comum a quase todo o momento:
O senso comum difere-se em alguns aspectos com a ciência, pois a ciência busca a verdade em todas as coisas por meio de testes e comprovações, enquanto o senso comum é utilizado antes mesmo que se saiba se o método empregado traz o que se espera. A ciência é objetiva, busca critérios, avalia, busca leis de funcionamento, reúne a individualidade existente em cada lei para formar uma só estrutura e isso sem procurar semelhança entre elas, se renova se modifica e busca sempre se firmar no conhecimento.
  
Método Científico  

O que é o método científico?
          
        O método científico é um conjunto de regras básicas de como se deve proceder a fim de produzir conhecimento dito científico, quer seja este um novo conhecimento quer seja este fruto de uma integração, correção (evolução) ou uma expansão da área de abrangência de conhecimentos pré-existentes. Na maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências empíricas verificáveis - baseadas na observação sistemática e controladas, geralmente resultantes de experiências ou pesquisa de campo - e analisá-las com o uso da lógica. Para muitos autores o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência.
     Metodologia científica literalmente refere-se ao estudo dos pormenores dos métodos empregados em cada área científica específica, e em essência dos passos comuns a todos estes métodos, ou seja, do método da ciência em sua forma geral, que se supõe universal. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas científicas), diferenciadas por seus distintos objetos de estudo, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos encontrados em áreas não científicas, a citarem-se os presentes na filosofia, na matemática e mesmo nas religiões.
       A metodologia científica tem sua origem no pensamento de Descartes, que foi posteriormente desenvolvido empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton. Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes, características que definiram a base da pesquisa científica. Compreendendo-se os sistemas mais simples, gradualmente se incorpora mais e mais variáveis, em busca da descrição do todo.
         Os três métodos básicos (indutivo, dedutivo e hipotético-dedutivo ou de verificação das hipóteses) costumam aplicar-se às ciências naturais (física, química, biologia, etc.) em contraposição às chamadas ciências humanas (economia, política, etc.) 
        O método científico  pode ser definido como a maneira ou o conjunto de regras básicas empregadas  em uma investigação científica com o intuito de obter resultados o mais confiáveis quanto for possível. Entretanto, o método científico é algo mais subjetivo, ou implícito, do modo de pensar científico do que um manual com regras explícitas sobre como o cientista, ou outro, deve agir.
Geralmente o método científico engloba algumas etapas como: a observação, a formulação de uma hipótese, a experimentação, a interpretação dos resultados e, por fim, a conclusão. Porém alguém que se proponha a investigar algo através do método científico não precisa, necessariamente, cumprir todas as etapas e não existe um tempo pré-determinado para que se faça cada uma delas. Charles Darwin, por exemplo, passou cerca de 20 anos apenas analisando os dados que colhera em suas pesquisas e seu trabalho se constitui basicamente de investigação, sem passar pela experimentação, o que, contudo, não torna sua teoria menos importante. Algumas áreas da ciência, como a física quântica, por exemplo, baseiam-se quase sempre em teorias que se apoiam apenas na conclusão lógica a partir de outras teorias e alguns poucos experimentos, simplesmente pela impossibilidade tecnológica de se realizar a comprovação empírica de algumas hipóteses.
O método científico como conhecemos hoje foi o resultado direto da obra de inúmeros pensadores que culminaram no “Discurso do Método” de René Descartes, onde ele coloca alguns importantes conceitos que permeiam toda a trajetória da ciência até hoje. De uma forma um pouco simplista, mas apenas para dar uma visão melhor do que se trata o método proposto por Descartes, que acabou sendo chamado de “Determinismo Mecanicista”, “Reducionismo”, ou “Modelo Cartesiano”, ele baseia-se principalmente na concepção mecânica da natureza e do homem, ou seja, na concepção de que tudo e todos podem ser divididos em partes cada vez menores que podem ser analisadas e estudadas separadamente e que (para usar a frase clássica) “para compreender o todo, basta compreender as partes”.
Talvez, o exemplo mais fácil de verificar o método proposto por Descartes, seja através da medicina: baseada no modelo cartesiano a medicina se dividiu em especialidades cada qual procurando entender os mecanismos de funcionamento de um órgão ou parte específica do corpo humano. As doenças passaram a ser encaradas como algum distúrbio em determinada parte que constitui o homem, e o homem em si, como um todo, deixa de ser considerado na investigação da medicina segundo modelo cartesiano.
Que o método de Descartes funcionou, não resta dúvidas a ciência evoluiu como nunca com a aplicação deste método. Porém a ciência que tinha como objetivo primeiro, proporcionar o bem estar ao homem através da compreensão e modificação da natureza à seu favor, como propôs Francis Bacon seguido por Descartes, perdeu seu sentido. Com a aplicação do modelo reducionista em todas as áreas do conhecimento as interações entre as partes e o todo e entre este e outros deixou de ser considerada causando sérios distúrbios sociais, ambientais e ameaçando até a existência do próprio homem em contradição com seu princípio fundamental.
Basicamente existe s cinco métodos de pesquisas são eles: Método dedutivo, indutivo, hipotético dedutivo, dialético e fenomenológico.

Comunidade científica
A comunidade científica, tal como Kuhn a descreve, é uma entidade social extremamente particular, mesmo única no seu gênero. Todas as características que a definem especificamente contribuem, como veremos, para tornar possível o funcionamento espantosamente eficaz do empreendimento científico. Um deles é a profunda unanimidade que, em tempo normal, reina entre os membros de uma mesma comunidade. É certo que estes se encontram dispersos através do mundo, mas nem por isso estão menos unidos por laços extremamente estreitos; leem os mesmos jornais, feitos para e por eles e que são praticamente os únicos a consultar; têm o mesmo vocabulário e os mesmos interesses científicos; a sua educação vai muni-los de modelos e de critérios metodológicos comuns que determinam os problemas a resolver e as soluções admitidas pelo grupo.

Onde se produz ciência hoje?
De um modo geral, há a produção de ciência em universidades, institutos de pesquisa e indústrias. No Brasil, podemos citar como exemplos as universidades federais (onde os professores são, em sua maioria, professores-pesquisadores), os institutos de pesquisa estatais como a Embrapa e a Fiocruz, e empresas como a Petrobras. Em países mais industrializados a produção científica nas indústrias privadas é bem mais significativa do que no Brasil.

Então, O que é a "comunidade científica"?
Comunidade científica é o nome que se dá ao conjunto de cientistas, desde que organizados. A organização dos cientistas se dá, por exemplo, na formação de sociedades científicas. No Brasil há, por exemplo, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC; http://www.sbpcnet.org.br), a Sociedade Brasileira de Química (SBQ; http://www.sbq.org.br), a Sociedade Brasileira de Física (SBF; http://www.sbf.org.br), entre muitas outras.
As sociedades científicas são responsáveis, entre outras coisas, pela realização de congressos, onde há a apresentação de trabalhos, a realização de cursos e o contato para a firmação de parcerias e convênios. Estas sociedades frequentemente também editam revistas e jornais, onde são publicados resultados de pesquisas científicas. Através destes jornais (que também têm versões eletrônicas na internet), e de congressos internacionais, é possível que pesquisadores de todo o mundo saibam o que está sendo feito por outros cientistas e possam colaborar, comentar ou criticar.
No conceito científico paradigma é um modelo de padrão a ser seguido, um conhecimento que sirva de base para um estudo de uma realização científica com métodos e valores a serem usados em outras pesquisas e estudos.
No conceito educacional são regras que servem de limites para os limites relativos a determinados assuntos ou para questões levantadas através de certos pensamentos ou ações e como ter sucesso resolvendo as ações dentro destes limites.
Preconceito são conclusões preconcebidas, apresentadas geralmente de forma discriminatória, geralmente é causado pela ignorância, ou seja, a falta de conhecimento ao que lhe é diferente, não conhece, mas critica.

Ciência e Valores
A ciência está em alta! O mundo nunca viu tanta evolução, tantas descobertas. A ciência transformou as nossas vidas e ainda continuará a transformar, mas de outro lado vemos os valores, sim, os valores que hoje as pessoas não consideram mais. Nunca fomos tão egoístas, tão superficiais e é triste observar que o respeito para com o próximo está em desuso.
Se analisarmos o contexto político do Brasil e do mundo como todo, observaremos que há um cenário lastimável (corrupção, ilegalidade e etc.) e que o muito disso está relacionado com os valores. Muitas pessoas se perguntam como o Brasil chegou a um cenário tão caótico, a resposta só é encontrada quando discutimos os valores. Vale ressaltar também que nós somos responsáveis por isso, o que acontece lá em Brasília é reflexo de nossas atitudes, pois os valores começaram a sucumbir dentro de cada um de nós. Os valores que outrora nos norteava, não é tão valorizado, as pessoas só estão preocupadas em adquirir um “falso conhecimento”, um conhecimento que as torna mecânicas. Hoje somos homens máquinas, somos homens que vivemos em uma sociedade descartável e vazia.
A ciência está em alta e parece que vai permanecer por muito tempo assim, já os valores devem ser reconsiderados e cabe a nós brasileiros lutarmos por isso.
A ciência pode ser vista como a investigação racional ou estudo da natureza, direcionado à descoberta da verdade. O cientista será aquele que faz desta a sua atividade profissional. No entanto, a ciência pode ser também encarada como um modo de vida ou como uma base de ensino para as gerações futuras. Viver segundo os valores da ciência é viver de forma racional, procurando sempre o caminho da verdade e a compreensão da realidade, fugindo ao mundo das crenças e à autoridade. A ciência tem regras, mas pressupões acima de tudo um pensamento livre.
Eis alguns dos valores básicos inerentes a um espírito científico:
• Espírito crítico: valorização das provas e da argumentação, distinguindo-as cuidadosamente da tradição e da autoridade.
• Valorização do estudo cuidadoso, informado, imparcial e objetivo, distinguindo-o da opinião avulsa, desinformada, parcial e aleatória.
• Honestidade intelectual.
• Aceitação das regras da discussão racional de ideias.
• Amor pela verdade e pela precisão.
• Curiosidade intelectual.
• Criatividade

CONCEITO DE IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO



CONCEITOS DE IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO

Ideologia e alienação tratam-se de conceitos que comumente são utilizados com diferentes sentidos. Holanda (1999) cita os seguintes significados para o conceito de ideologia:

1. Ciência da formação das idéias; tratado das idéias em abstrato; sistema de idéias.
2. Filos. Conjunto articulado de idéias, valores, opiniões, crenças, etc., que expressam e reforçam as relações que conferem unidade a determinado grupo social (classe, partido político, seita religiosa, etc.) seja qual for o grau de consciência que disso tenham seus portadores.
3. Polít. Sistema de idéias dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política.
4. Conjunto de idéias próprias de um grupo, de uma época, e que traduzem uma situação histórica.

Marilena Chauí (1980) descreve de uma maneira ampla o conceito de ideologia:

A ideologia é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer. Ela é, portanto, um corpo explicativo (representações) e prático (normas, regras, preceitos)de caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais, sem jamais atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes, a partir das divisões na esfera da produção.(p. 113).

Para Aranha & Martins (1993), ideologia trata-se do “conjunto de idéias, concepções ou opiniões sobre algum ponto sujeito a discussão” , e esta se realiza através de uma “(...) organização sistemática dos conhecimentos destinados a orientar a ação efetiva.” (p. 36). A ideologia, para os autores, contêm as seguintes características:

-constitui um corpo sistemático de representações  que nos “ensinam” a pensar e de normas  que nos “ensinam” a agir;
-tem como função assegurar determinada relação dos homens entre si e com suas condições de existência, adaptando  os indivíduos às tarefas prefixadas pela sociedade;
- para tanto, as diferenças de classe e os conflitos sociais são camuflados, ora com a descrição da “sociedade una e harmônica, ora com a justificação das diferenças existentes”;
-com isso é assegurada a coesão  dos homens e a aceitação sem críticas  das tarefas mais penosas e pouco recompensadoras, em nome da “vontade de Deus” ou do “dever moral” ou simplesmente como decorrente da “ordem natural das coisas”; 
-em última instância, tem a função de manter a dominação de uma classe sobre outra. (p. 37).

Visto como um produto da classe dominante, a ideologia possui um caráter ilusório, procurando explicar a realidade através de suas conseqüências, ocultando as reais causas.
Aranha & Martins (1993), dizem que:

A ideologia é ilusória, não no sentido de ser ‘falsa’ ou ‘errada’, mas enquanto uma aparência que oculta a maneira pela qual a realidade social foi produzida. (...) A ideologia mostra uma realidade invertida, ou seja, o que seria a origem  da realidade é posto como produto  e vice versa; o que é efeito passa a ser considerado causa, o que é determinado é tido como determinante. (p. 38)
           
O sentido a ser empregado neste trabalho se aproxima ao que se relaciona com um “(...) amplo sistema de conceitos e crenças, muitas vezes de natureza política, que defende um grupo ou um indivíduo”  (Enciclopédia Encarta, 2001).
            Ideologia trata-se de um conjunto de idéias, modos de pensar e de se relacionar para com os valores, as crenças, os costumes, as normas e os modos de encarar os fatos de certos grupos de pessoas da sociedade. Furter (1976) comenta que a ideologia burguesa opera com o poder das classes dirigentes, através da reprodução de seus interesses, alienando as outras classes, e impedindo que estas tomem a consciência de tal processo. Ele trata a ideologia fragmentária, onde “a ideologia é fragmentária, isto é, sempre é elaborada em função de objetivos concretos”  (58p.). Para tanto, as classes dominantes “(...) favorecem a elaboração de ideologias que justificam o status quo e impedem a tomada de consciência autêntica”  (53p.). Estas ideologias alienam pois, de acordo com o mesmo, “quebram a unidade dialética do pensar e do atuar”  (53p.).
            Alienação trata-se de outro conceito que resulta em diferentes compreensões. Quando referimos à pessoas alienadas, no senso comum, associamos à pessoas desligadas,usuários de drogas, pessoas com desconhecimento ou desinteresse com relação aos assuntos relatados nos jornais, entre outras conotações que, em geral, referem-se ao desligamento da pessoa com o que é visto como algo que seria, inicialmente, parte da vida dela. No caso dos exemplos acima citados, poderiam ser, por exemplo, desligamento da sua consciência através do uso de drogas ou desligamento de assuntos que são socialmente vistos como de importância.
            Em ambos os casos, tratam o conceito de alienação como algo que a pessoa deveria ter - consciência de si ou do que é relatado nos jornais, no caso do exemplo acima citado – e que esta, de alguma maneira, não se importa em ter. No caso deste trabalho, a alienação será tratada como o desligamento da pessoa de si mesma, de sua existência e isso é visto como consequência de uma ideologia que faz com que este se torne submisso a mesma, passando para si desejos alheios, sentimentos alheios, normas alheias, pensamentos alheios, e toda uma existência alheia. Assim, o indivíduo torna-se alheio a si, para dar espaço ao que é trazido pelos outros, neste processo, “o eu desaparece”  (BASBAUM, 1982, 46p.).
Percorrendo o Dicionário Aurélio, Holanda (1999), foram estabelecidas relações entre conceitos na tentativa de descrever o termo alienação. Verificou-se, as ligações: alienação =alheação, indiferença; indiferença = desatenção, frieza, desinteresse, apatia; apatia =indolência, preguiça, antônimo de vivacidade; vivacidade = qualidade do que é vivo, ativo, enérgico; vivo = o que não está morto; morto = que deixou de existir.
 De acordo com Codo (1986), “O homem alienado é o homem desprovido de si mesmo. Se a história distancia o homem do animal, a alienação re-animaliza o homem”. (8p).
Se através da alienação o homem torna-se alheio de si, este deixa de pertencer a si mesmo,
“(...) o homem perde não apenas a identidade de si mesmo, a consciência de si, mas passa a pertencer ao objeto, à coisa, ao outro”  (BASBAUM, 1982, 17p.). 

Diz-se ainda que o homem está alienado quando deixa de ser seu próprio objeto para se tornar objeto de outro. Deixa de ser algo para si mesmo. Sua vontade é assim a vontade de outro: ele é coisificado. Deixa de ser homem, criatura consciente e capaz de tomar decisões, para se tornar coisa, objeto. (Basbaum, 1982, 18p.)

Marx & Engels (2002) comenta que o trabalho é um processo onde o indivíduo altera o meio e, por consequência, o meio altera a si mesmo. O sujeito que realiza um trabalho artesanal, que não por carteira registrada, não segue ordens de uma empresa, não possui supervisão de seu chefe, mas, por sua supervisão, por sua vontade, por sua necessidade este imprime no seu produto de trabalho a sua imagem, a sua vida, o seu sentimento. Cada trabalho artesanal possui uma imagem, nenhum fica exatamente igual, e todos os produtos acabam possuindo características de quem os produziu, assim como diferentes quadros que possuem características de diferentes pintores, onde se vê “(...) em cada objeto o rosto de quem o produzira”  (ALVES, 2001, 35p.). Alves (2001) comenta que “(...) o operário, ao ver o objeto que produzira, tinha de ver o seu próprio rosto refletido nele. Cada objeto tem de ser um espelho, tem de ter a cara daquele que o produziu”  (34p.), pois, cada um de nós, somos seres humanos únicos. 
Mas, com a alienação, acontece o contrário, Codo (1986), partindo duma visão marxista, relaciona a alienação com o trabalho, descrevendo que o operário é alienado em sua produção, no caso de uma produção em série, pois, o operário faz parte de um sistema onde cada um produz uma parte do produto, esse produto não possui nenhuma semelhança consigo mesmo, e, muitas vezes, nem o próprio produtor consome o produto.
“No trabalho, organizado na sociedade capitalista, ocorre uma ruptura, uma cisão, um divórcio entre o produto e o produtor, o trabalhador produz o que não consome, consome o que não produz”  .(CODO, 1986, 19p). Alves (2001) comenta que “operários que trabalham em linha de montagem não assinam suas obras (porque não são deles) nem veem seu rosto refletido nelas”  (35p.), na alienação o homem não se percebe como produtor de sua cultura, tornando se produto duma cultura alheia.
 Para Basbaum (1982), o trabalho e a educação são os fatores essenciais da alienação: “Pelo trabalho, o homem se aliena. Pela educação, preparam - no para a alienação. A educação é assim a maior arma de que dispõem os senhores da propriedade privada, para que tudo continue como está”. (BASBAUM, 1982, 41p.). Este processo que faz com que as pessoas façam o que é proposto pela ideologia dominante também faz com que acreditem e sigam como se somente esta fosse a certa.

Homens e mulheres que vão para o trabalho, no qual empenham sua própria vida para gozo de outros; jovens que vão para a guerra para serem mortos, sabendo que vão morrer, até com certa satisfação, acreditando que vão defender a civilização ocidental e cristã. E homens que se prestam ao papel de ensinar aos jovens que tudo isso é muito certo e muito justo. (Basbaum, 1982, 39p.)
           
De acordo com Basbaum (1982), as máquinas de alienação são, em primeiro, a família e em segundo, a escola, ele comenta que o antídoto para a alienação seria a rua, pois a família, a escola e o trabalho são instituições que estão a serviço da alienação, se a situação das instituições continuar como se encontra, a marginalização será o único meio de se livrar da alienação.

(...) o único lugar em que a criança, o adolescente, o jovem, se encontra realmente livre. Só a rua permite ao jovem alimentar esse instinto natural de liberdade que, em casa e na escola, é cerceado de todas as maneiras. É na rua que ele tem oportunidade de formar sua personalidade, de libertar-se das pressões da família e da escola. É na rua, conhecendo outros jovens da mesma idade e de todos os temperamentos, que ele começa a conhecer a vida. É na rua que ele realmente vive. (1982, 47p.)


Fonte:
CARRSCO, Bruno Barbedo. Cap. Conceito de Ideologia e Alienação. In. Alienação na Escola. Pag.08-11. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/17117667/Alienacao-na-Escola-Bruno-Carrasco